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Mostrando postagens com o rótulo ORIGINAIS

O NASCIMENTO DA FLORESTA

Estamos em Setembro, dia 17 do ano de 1919 e acho que agora são mais ou menos quatro ou cinco da manhã. Desde o início era minha intenção documentar esta expedição em meu diário todas as noites, pouco antes de nos deitarmos, após armar acampamento, mas, só agora aqueles horríveis gritos e sons agourentos pararam e minha companheira de barraca adormeceu. Sinto pena dela, uma dama tão delicada entrando no Deserto Amazônico com dois estranhos, e ainda tendo de passar por semelhante provação demoníaca… DIA I: SONITUS DESERTI Pousamos ontem, ao sul do Deserto Amazônico, mais precisamente, na fronteira entre a caatinga e a areia, onde alguns índios moribundos ainda habitam. É um lugar simplesmente surreal, parece haver uma constante luta entre a areia e uma terra escura em que cresce uma fraca vegetação rasteira fustigada pelo Sol. Me pus de pé bem na divisa do combate e olhei, primeiro para a direita, depois para a esquerda, e para qualquer lado que se olhe a divisão se estende por quilômet...

O REINO DE CRISTAL: CONFLITO ENTRE MUNDOS

Na adolescência, escrevi um livro sobre dragões e guerreiros invencíveis que combatiam pela posse de espadas mágicas e a soberania do Reino de Cristal. Anos mais tarde, subitamente um dos habitantes do mundo que havia criado nas páginas de meu livro simplesmente se colocou de pés diante de mim e roubou meu lugar na Terra. Me vi num outro Mundo Acima das Estrelas da Terra, era um lugar hostil e quase desabitado, assolado por cópias dos antigos dragões. Lá também encontrei poderosos guerreiros que me ajudaram na tarefa de retornar para a Terra. Mas, muito mais surpreendente que descobrir um mundo sobrenatural acima do Oceano dos Céus, foi descobrir que a chave que destrancou a porta da passagem entre ambos haviam sido minhas crenças pessoais em Deus e em como funciona o universo. Parece loucura? É claro que sim. E foi por isso que acabei confinado num hospital psiquiátrico, talvez até o fim de minha vida. Agora, de dentro deste sanatório, estou escrevendo minhas memórias sem que ninguém ...

CRÔNICAS DO CAVALEIRO DAS BATATAS

CAPÍTULO I – FUGINDO DO VELHO MUNDO. –  A Ordem caiu. Fomos perseguidos e mortos apenas por termos cumprido nosso trabalho de guardiães!  –  Não importa o que pensam, nosso dever sagrado é com a Igreja e com a manutenção da justiça.  Dois “Cavaleiros Pobres” conversavam na proa de um navio observando o oceano por onde viajavam a tanto tempo que suas cotas de malha já começavam a enferrujar. Uma Cruz Vermelha era muito visível no peito de um deles, enquanto que no outro, a mesma se encontrava oculta debaixo de uma túnica improvisada. A falta de armaduras sobre a cota de malha eram a prova de sua renúncia as posses para que pudessem dedicar suas vidas a Deus.  –  A igreja e a Ordem não se importam conosco. É por isto que não lhe foi permitido usar abertamente nossa cruz, tampouco recebeste um nome.  –  Foste criado apenas para servires a teu propósito, um cozinheiro, alguém dispensável que prepara as batatas!  –  E por isso rumamos ao Novo...