Estamos em Setembro, dia 17 do ano de 1919 e acho que agora são mais ou menos quatro ou cinco da manhã. Desde o início era minha intenção documentar esta expedição em meu diário todas as noites, pouco antes de nos deitarmos, após armar acampamento, mas, só agora aqueles horríveis gritos e sons agourentos pararam e minha companheira de barraca adormeceu. Sinto pena dela, uma dama tão delicada entrando no Deserto Amazônico com dois estranhos, e ainda tendo de passar por semelhante provação demoníaca… DIA I: SONITUS DESERTI Pousamos ontem, ao sul do Deserto Amazônico, mais precisamente, na fronteira entre a caatinga e a areia, onde alguns índios moribundos ainda habitam. É um lugar simplesmente surreal, parece haver uma constante luta entre a areia e uma terra escura em que cresce uma fraca vegetação rasteira fustigada pelo Sol. Me pus de pé bem na divisa do combate e olhei, primeiro para a direita, depois para a esquerda, e para qualquer lado que se olhe a divisão se estende por quilômet...